Uma família de Umuarama, no noroeste do Paraná, vive dias de terror dentro da própria casa. Em apenas uma semana, os moradores capturaram quase 300 escorpiões, transformando a rotina do lar em uma vigília constante contra esses animais peçonhentos. O caso extremo acende um alerta vermelho sobre a proliferação descontrolada de pragas urbanas na região.

Rotina de Medo e Improviso
Relatos locais indicam que a situação tornou-se insustentável. A família descreve um cotidiano de medo, onde tarefas simples, como calçar um sapato ou deitar na cama, exigem inspeções minuciosas. Os animais são encontrados em roupas, frestas de móveis e até caminhando pelas paredes, obrigando os moradores a improvisarem barreiras e manterem a casa fechada, mesmo com o calor.
O perigo é iminente, pois a picada de escorpião causa dor intensa e pode ser letal, especialmente para crianças e idosos, devido à ação neurotóxica do veneno.
Por que tantos escorpiões?
Especialistas apontam que a espécie provável envolvida na infestação é o Escorpião Amarelo (Tityus serrulatus). Esta espécie possui uma característica biológica que favorece explosões populacionais: a partenogênese. Isso significa que a fêmea não precisa de um macho para se reproduzir, gerando até 20 filhotes por vez, várias vezes ao ano.
Além disso, o acúmulo de entulhos, materiais de construção e a presença de baratas (principal alimento dos escorpiões) criam o ambiente perfeito para o aumento de escorpiões amarelos nas áreas urbanas.
Veneno comum não resolve
Muitas pessoas tentam resolver o problema aplicando inseticidas comuns (aerossóis) encontrados em supermercados. No entanto, biólogos alertam que isso pode piorar a situação. O uso indiscriminado de veneno pode apenas “irritar” os aracnídeos, fazendo com que eles saiam de seus esconderijos e se tornem mais agressivos, fenômeno conhecido como desalojamento.
Para um combate efetivo, é necessário o controle profissional de escorpiões, que utiliza técnicas específicas e produtos microencapsulados que aderem ao corpo do animal, além de uma rigorosa inspeção física do imóvel.
Como se proteger?
A Vigilância Sanitária reforça a necessidade de medidas preventivas, conhecidas como “controle mecânico”:
- Vedar ralos e frestas: Utilize telas milimétricas em ralos e vede buracos em paredes e pisos.
- Limpeza do quintal: Remova pilhas de tijolos, telhas e madeiras.
- Afastar móveis: Mantenha camas e berços desencostados das paredes.
- Evitar baratas: Mantenha o lixo bem fechado para não atrair o alimento dos escorpiões.
Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente, se possível levando o animal (com segurança) para identificação.




