As fortes chuvas de verão, somadas às altas temperaturas características de Cuiabá (MT), estão tirando o sono dos moradores. Essa combinação climática criou o cenário biológico perfeito para a proliferação descontrolada do caracol-africano (Achatina fulica), uma perigosa praga urbana que tem invadido quintais, calçadas e hortas em diversos bairros da capital mato-grossense.
O clima como gatilho da infestação
A umidade constante é o principal combustível para essa espécie invasora. Os caracóis dependem da água para se locomoverem e se reproduzirem com maior eficiência. Durante os dias chuvosos, eles saem de seus esconderijos subterrâneos ou debaixo de entulhos para se alimentar e acasalar. Como já alertamos em nosso portal, as chuvas aumentam o risco de infestação de caracol africano, exigindo que a população redobre a atenção com a limpeza de lotes vagos e áreas com acúmulo de materiais que sirvam de abrigo.

Riscos silenciosos à saúde pública
O perigo do caracol-africano vai muito além da destruição de plantas ornamentais e hortaliças. O muco (a secreção que o animal deixa por onde passa) pode carregar vermes nematódeos causadores de doenças graves em humanos, como a angiostrongilíase abdominal e a meningite eosinofílica.
O contato direto com a pele ou a ingestão de verduras e hortaliças mal lavadas contaminadas por essa secreção são as principais vias de transmissão. Casos recentes de meningite transmitida por caracol em outras regiões do país reforçam que o controle dessa praga é, antes de tudo, uma urgência de saúde pública.
Como realizar o manejo seguro?
As autoridades sanitárias orientam que o combate seja feito de forma mecânica, porém extremamente cuidadosa. O uso indiscriminado de sal grosso é contraindicado, pois além de não eliminar os ovos da praga, contamina o solo e prejudica o meio ambiente. O protocolo seguro de descarte inclui:
- Proteção: Nunca tocar no molusco com as mãos desprotegidas. Utilize luvas de borracha ou sacos plásticos calçados nas mãos.
- Coleta: Realizar a catação manual dos caracóis e também de seus ovos (pequenas bolinhas amarelas ou brancas encontradas rasas na terra).
- Descarte correto: Os animais recolhidos devem ter suas conchas quebradas. Em seguida, devem ser enterrados em uma cova com cal virgem ou colocados em sacos de lixo duros e bem fechados para o recolhimento da coleta de lixo comum.




