O dia a dia dos moradores de uma vila na Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, transformou-se em um verdadeiro pesadelo sanitário. Uma infestação massiva de caracóis africanos (Achatina fulica) tomou conta de quintais, muros, calçadas e áreas comuns das residências. A denúncia, que ganhou repercussão nos jornais locais nesta semana, expõe um problema crônico que coloca em risco a saúde de adultos, crianças e animais de estimação na comunidade.

Reginaldo imenta/Agência O DIA
Chuva e calor: O cenário ideal para a praga
Os moradores relatam que a situação saiu de controle com as recentes mudanças climáticas. A umidade é o principal combustível para a explosão populacional desses moluscos. Com as chuvas intercaladas por dias de calor intenso, os ovos eclodem rapidamente e os animais saem de seus esconderijos em busca de alimento. Como sempre alertamos no portal, as chuvas aumentam o risco de infestação de caracóis africanos, exigindo que a limpeza de quintais e terrenos baldios vizinhos seja redobrada.
Risco invisível: Muito além do nojo
Além do aspecto repugnante e da destruição de hortas e plantas ornamentais, o perigo real do caracóis africanos é invisível a olho nu. O muco liberado por eles durante o deslocamento pode conter larvas de parasitas perigosos. A transmissão ocorre pelo contato direto com a secreção ou ingestão de alimentos contaminados.
Pesquisas recentes confirmam a gravidade da situação. Estudos e alertas sanitários já documentaram casos de meningite transmitida por caramujo, uma infecção grave que afeta o sistema nervoso central (meningite eosinofílica) e que exige socorro médico imediato.
O que a comunidade deve fazer?
Diante do desespero, é comum que moradores tentem resolver o problema jogando sal grosso nos animais. Especialistas condenam essa prática: o sal contamina o solo, prejudica outras plantas e não destrói os ovos da praga, fazendo com que a infestação retorne semanas depois.
A orientação técnica oficial sobre como o CCZ orienta a população no combate aos caracóis africanos envolve três passos seguros: proteção rigorosa (catação manual usando luvas ou sacos plásticos nas mãos), eliminação física (quebra das conchas dentro de um balde) e descarte seguro (enterrar os restos cobertos com cal virgem).
Os moradores da Pavuna agora cobram intervenções urgentes de capina e limpeza urbana por parte da prefeitura para eliminar os focos nos terrenos abandonados ao redor da vila.

Foto: Arquivo Pessoal




