Militares do 15º Batalhão Logístico (15º B Log) e do 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado (33º BI Mec), localizados em Cascavel, no Paraná, relataram a ocorrência de percevejos nos alojamentos das unidades. Segundo informações oficiais do Exército Brasileiro, ao longo do ano de 2026, 11 militares procuraram atendimento médico devido a picadas de insetos. Deste total, três casos foram confirmados como picadas de percevejo em uma mesma Organização Militar.
De acordo com o Comando da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, a presença da praga tem sido combatida desde 2024. Entre as medidas preventivas adotadas estão a lavagem de roupas de cama a temperaturas acima de 60°C, a exposição de colchões ao sol e a contratação de serviços de dedetização. O órgão afirma que uma inspeção da Vigilância Sanitária validou os protocolos utilizados, mas reconheceu que o inseto apresenta alta resistência, gerando reinfestações ocasionais. A corporação descartou, contudo, a existência de um surto nos quartéis.
O Contexto Biológico: Por que alojamentos são propícios?
Os insetos relatados tratam-se predominantemente da espécie Cimex lectularius, o percevejo-de-cama. Eles são parasitas hematófagos, o que significa que se alimentam exclusivamente de sangue, com ampla preferência pelo sangue humano. Instalações como alojamentos militares, hotéis e repúblicas são ambientes extremamente favoráveis para a biologia do inseto devido à alta rotatividade de pessoas e à disponibilidade contínua de hospedeiros em horários de repouso.
Com hábitos noturnos e aversão à luz, esses percevejos se abrigam durante o dia em costuras de colchões, estrados de camas, frestas nas paredes e rodapés. Como explicamos detalhadamente no guia sobre prevenção desta espécie, nas últimas décadas os percevejos-de-cama desenvolveram mutações que lhes conferem resistência genética a vários princípios ativos de inseticidas comuns. Essa característica biológica justifica a dificuldade técnica reportada no controle da praga, mesmo com limpezas frequentes.

Riscos e Impactos Reais
No âmbito da saúde pública, os percevejos-de-cama não são classificados como vetores de zoonoses graves; ou seja, não há evidências científicas sólidas de que transmitam doenças infecciosas aos seres humanos. Apesar disso, os impactos na saúde física e estrutural do ambiente são substanciais.
- Reações Dermatológicas: As picadas geram pápulas avermelhadas e prurido (coceira) intenso, variando conforme a sensibilidade alérgica de cada indivíduo.
- Infecções Secundárias: O ato contínuo de coçar as lesões pode provocar escoriações na pele, facilitando a entrada de bactérias e causando infecções dermatológicas secundárias.
- Impacto Psicológico e Operacional: A presença dos insetos nos dormitórios causa ansiedade severa, privação de sono e fadiga crônica, o que pode afetar negativamente o rendimento e a segurança das operações diárias.
Soluções e Manejo Profissional
O manejo de percevejos requer uma combinação de ações físicas e ambientais. Ações como a lavagem contínua de tecidos e roupas de cama em água acima de 60°C, a aspiração detalhada de frestas e o uso de capas seladoras em colchões são ferramentas de prevenção e mitigação importantes. O descarte ou isolamento de mobiliário fortemente infestado também costuma ser recomendado para reduzir a população da praga no local.
Contudo, para solucionar infestações já estabelecidas, a legislação sanitária preconiza a intervenção de profissionais licenciados. Tentativas de controle amador frequentemente resultam na dispersão dos percevejos para outros ambientes do edifício. O método mais seguro e eficaz é o Controle Integrado de Pragas (CIP), que une inspeção técnica detalhada, o uso de equipamentos de calor (vaporizadores de alta temperatura) e a aplicação controlada de formulações químicas rotacionadas, estruturadas especificamente para contornar a resistência biológica desses insetos.





