Produto continha defensivo agrícola altamente perigoso para humanos e animais
Uma mulher foi presa em flagrante nesta quinta-feira (20) em Guaramirim, Santa Catarina, sob acusação de fabricar e vender um suposto “repelente orgânico” contendo uma substância altamente tóxica. A ação foi realizada pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Jaraguá do Sul, após uma denúncia da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
O delegado Caléu Henrique Gomes de Melo afirmou que a suspeita produzia o repelente de forma clandestina em sua própria residência e distribuía o produto para comércios em diversas cidades da região, como Jaraguá do Sul e Joinville. O produto era vendido como uma alternativa natural e segura contra insetos, enganando consumidores que buscavam opções menos agressivas ao meio ambiente.
Desvio de uso de inseticidas: um crime grave
Uma análise laboratorial confirmou que o produto continha metomil, um defensivo agrícola altamente tóxico. O uso indevido desse tipo de substância é um exemplo clássico de desvio de uso de inseticidas, uma prática criminosa que coloca em risco a saúde pública.
O desvio de uso de inseticidas ocorre quando substâncias químicas regulamentadas para determinados usos são indevidamente empregadas em aplicações não autorizadas, colocando em risco consumidores e o meio ambiente. No caso investigado, o repelente era vendido sem qualquer regulamentação, expondo os compradores a um pesticida de alto risco.
Riscos e penalidades
O metomil é um inseticida neurotóxico que pode causar intoxicação grave se inalado ou ingerido. Os sintomas incluem tontura, náusea, dificuldades respiratórias e, em casos extremos, pode levar à morte. Seu uso é estritamente regulamentado e não pode ser empregado em produtos domésticos.
O delegado alertou que a suspeita poderá responder por crimes contra a saúde pública e contra as relações de consumo, com penas que podem ultrapassar 10 anos de prisão. A Polícia Civil segue investigando possíveis parcerias na distribuição do produto e outros lotes contaminados.
Orientações aos consumidores
As autoridades recomendam que consumidores que adquiriram o produto interrompam imediatamente o uso e denunciem pontos de venda irregulares. Caso haja sintomas de intoxicação, é essencial buscar atendimento médico rapidamente.
O uso irregular de inseticidas não se limita a produtos vendidos como repelentes. No setor de Controle de Pragas, algumas empresas clandestinas utilizam produtos sem registro, manipulam substâncias ou criam “coquetéis secretos”, o que pode configurar crime hediondo, sem direito a fiança. Reiteradamente, surgem na internet e em grupos de mensagens ofertas de produtos para dedetização sem qualquer controle sobre sua fabricação e procedência, podendo conter concentrações de ativos ilegais e perigosos.
Utilizar ou comercializar produtos sem registro não apenas coloca a saúde de todos em risco, mas também pode tornar o usuário cúmplice desse crime. Sempre verifique se o produto possui registro na ANVISA e certificação adequada antes de utilizá-lo.
Para mais informações sobre os perigos do desvio de uso de inseticidas e como identificar produtos clandestinos, acompanhe as atualizações no nosso portal.





