Saúde anuncia uso de veneno no combate aos escorpiões

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Os milhões investidos pela Prefeitura na faxina urbana, desde dezembro do ano passado, não foram suficientes para eliminar a infestação de escorpiões em Rio Preto. Uma nova frente de combate vai jogar venenos na rede de esgoto. As ações com inseticida, anunciadas nesta sexta-feira, 25, vão ser iniciadas na Vila Flora, na região do São Deocleciano, a partir do dia 28.

De 2016 para cá, a rede pública de saúde atendeu 870 pessoas picadas por escorpião. As ocorrências vêm aumentando nos últimos anos. Em 2016, segundo dados da Saúde, foram 280 casos. Em 2017, as notificações passaram para 376. Neste ano, de janeiro a abril, 214 acidentes foram confirmados. “Isso tem nos preocupado muito. Mesmo com o faxinão vimos a necessidade de fazer um combate químico nas galerias do Semae”, afirmou o gerente da Vigilância Ambiental, Abner Alves.

O objetivo é determinar a eficácia do combate químico contra escorpiões e sua principal fonte de alimento, as baratas, presentes nas galerias de esgoto.

Só na Unidade Básica de Saúde (UBS) do São Deocleciano, que abrange 16.989 pessoas, incluindo a Vila Flora, foram 12 pessoas picadas e atendidas na unidade. Desde 2016, a região soma 31 vítimas do animal. O local é considerado um dos mais infestados da cidade.

Rodeado por mata, terrenos baldios e materiais de construção, os moradores colecionam “encontros” com as visitas peçonhentas. Eles chegam pelas calçadas, pelos muros, pelos ralos e invadem as áreas de serviço, banheiros, quartos e pousam em caixas, utensílios e o que tiver pela frente. A decoradora Elidionara Secco, de 32 anos, guarda um pote com as dezenas de animais encontrados.

Só de 2016 para cá, a moradora conta quase 80 escorpiões. “Eles vêm de todos os lados. Encontrei na área de serviço, na caixa de brinquedo das meninas, a gente já está até acostumado”, afirmou Elidionara que é mãe de uma garotinha de quatro e outra de sete anos.

Outra moradora da Vila Flora, que pediu para não ser identificada, também já foi surpreendida. “Eu achei três em casa. Eram amarelos e grandes. Um deles eu achei debaixo da cama. Naquela mania de olhar antes de dormir a gente encontrou”. Benedito Pereira Lima, de 53 anos, também morador do bairro, complementou. “Na semana passada a cachorra estava latindo e quando a gente foi ver era escorpião”, disse. “Tenho uma netinha e dois cachorros, um perigo.”

Veneno

O produto é usado apenas por secretarias de saúde e empresas dedetizadoras. “População não deve tentar fazer esse combate químico em casa”, alertou o gerente. Depois da dedetização da rede de esgoto, os agentes voltam ao bairro para mais visitas, vistorias e caça aos escorpiões. Trabalho que se estenderá até 30 de outubro.

Os dados dos rastros dos animais recolhidos nesta área da UBS do São Deocleciano depois da ação do veneno serão então comparados com o mapeamento dos animais na região UBS do Parque Industrial, onde não jogaram veneno. A região abrange uma população de 36.435 e registrou 58 acidentes com o animal desde 2016.

“Comprovando o que esperamos, vamos ampliar essa ação para procurar diminuir esses níveis de infestação”, afirmou Abner. Ao lado do projeto continua o alerta para que a população deixe terrenos e quintais limpos, sem sujeira e acúmulo de lixo que atraem alimentos para escorpiões, como as baratas, ou que abriguem os animais. “Na jardinagem evitar casca de pinos e tudo que fica quente, úmido e escuro”, alertou o gerente.

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