As chuvas frequentes que atingem Campo Grande (MS), combinadas com as altas temperaturas, criaram o cenário perfeito para a proliferação de uma velha praga urbana: o caramujo-africano (Achatina fulica). A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) emitiu um alerta para que a população redobre os cuidados, já que a umidade acelera o ciclo reprodutivo desses moluscos, aumentando o risco de invasões em quintais e terrenos.
Uma praga sem predadores
Introduzido no Brasil na década de 1980 como uma alternativa culinária ao escargot, o caramujo-africano não caiu no gosto popular e foi descartado na natureza. Sem predadores naturais no ecossistema brasileiro e com uma capacidade de adaptação impressionante, ele se tornou uma das espécies invasoras mais problemáticas do país. Especialistas apontam que esses animais podem viver até sete anos, o que torna o controle ainda mais desafiador.
O cenário atual exige atenção constante. Como detalhamos em reportagens anteriores, as chuvas aumentam o risco de infestação de caramujo africano significativamente, pois eles dependem da umidade para se locomover e se reproduzir com maior facilidade.
Riscos à saúde pública
Embora muitos vejam apenas o incômodo visual, o perigo é invisível. O muco do caramujo pode conter parasitas causadores de doenças graves, como a angiostrongilíase abdominal e a meningite eosinofílica. A transmissão ocorre pelo contato direto com a secreção do animal ou pela ingestão de hortaliças mal lavadas.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mantém monitoramento constante sobre esses vetores. Estudos recentes já detectaram casos preocupantes de meningite transmitida por caramujo, reforçando que a prevenção é uma questão de saúde pública, não apenas de limpeza.
Como realizar o controle seguro
Para combater a infestação, a limpeza dos terrenos é fundamental. O acúmulo de entulhos, madeira e restos de construção serve de abrigo para a praga. Caso encontre caramujos em sua residência, siga este protocolo de segurança:
- Proteção obrigatória: Nunca toque no animal sem luvas ou sacos plásticos protegendo as mãos.
- Coleta manual: Recolha os animais e seus ovos nas primeiras horas da manhã ou finais de tarde.
- Descarte correto: Os animais devem ser quebrados e enterrados em covas profundas utilizando cal virgem. O descarte no lixo comum também é possível, desde que bem ensacados, mas a incineração doméstica é desaconselhada por questões ambientais.




