Alerta no Agronegócio e nas Cidades: Aumento de 215% de Espécies Exóticas de Moluscos no Brasil Exige Defesa Sanitária

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Espécies Exóticas de Moluscos - Caracóis africanos próximos das casas
Caracóis africanos próximos das casas. Reginaldo imenta/Agência O DIA

O expressivo aumento de 215% no registro de espécies exóticas de moluscos no Brasil acende um sinal vermelho para a segurança alimentar, o agronegócio e a saúde pública urbana. A rápida disseminação de caracóis, caramujos e lesmas invasores — animais que foram introduzidos acidentalmente ou por ações antrópicas no ecossistema nacional — deixa de ser apenas uma curiosidade biológica para se consolidar como uma grave praga econômica e sanitária. Sem predadores naturais eficientes no país, esses invertebrados colonizam lavouras, hortas comerciais e jardins urbanos com velocidade alarmante, exigindo o abandono de técnicas amadoras em prol de um manejo científico e estruturado.

A Biologia da Invasão: Por Que Crescem as Espécies Exóticas de Moluscos?

Para compreender a explosão populacional desses vetores, é fundamental analisar a biologia reprodutiva e comportamental do grupo. Espécies invasoras de alta criticidade, como o caramujo-africano (Achatina fulica) e diversas lesmas e caracóis de origem europeia ou asiática (como os do gênero Deroceras e Bradybaena), são majoritariamente hermafroditas e dotadas de uma capacidade reprodutiva exponencial. Um único indivíduo pode depositar centenas de ovos no solo úmido ao longo de uma única estação.

Esses animais possuem hábitos noturnos e lucífugos, abrigando-se durante o dia sob entulhos, palhada, pedras e vegetação densa para evitar a desidratação. O avanço descontrolado de 215% está diretamente atrelado às mudanças climáticas — que elevam os índices de umidade e calor em várias regiões do país — e ao transporte passivo através da logística agrícola. Ovos e espécimes jovens viajam imperceptivelmente encravados em torrões de terra de mudas de plantas, caixas de hortifrúti e estrados de madeira (pallets), colonizando novos territórios sem resistência biológica.

Riscos à Saúde Pública e ao Campo: De Perdas Agrícolas a Zoonoses Graves

No agronegócio e na agricultura familiar, o impacto econômico é imediato e devastador. Os moluscos fitófagos possuem uma estrutura bucal raspadora (a rádula) capaz de desfolhar rapidamente lavouras inteiras de hortaliças, grãos, leguminosas e plantas ornamentais. O ataque compromete a fotossíntese das mudas, reduz a produtividade por hectare e inviabiliza a comercialização de frutos e folhas roídas ou contaminadas pelo muco viscoso deixado pelos animais.

No âmbito da saúde pública, a presença desses invasores em áreas urbanas e periurbanas representa um risco epidemiológico severo. O caramujo-africano, em especial, atua como hospedeiro intermediário do nematódeo Angiostrongylus cantonensis, verme causador da Meningite Eosinofílica em humanos. A contaminação ocorre pela ingestão de hortaliças mal lavadas que entraram em contato com o muco do molusco ou pela manipulação desprotegida dos animais em quintais e jardins. Para aprofundar o entendimento sobre a identificação e os riscos desses vetores, é indispensável consultar estudos e protocolos de controle de caramujos, caracóis e lesmas.

O Mito do Sal e a Eficácia do Controle Integrado de Pragas (CIP)

Diante de uma infestação no quintal ou na lavoura, a prática amadora mais difundida é despejar sal de cozinha (cloreto de sódio) diretamente sobre os moluscos. A ciência agronômica e sanitária adverte: essa prática deve ser rigorosamente abolida. Além de ser um método cruel que gera espalhamento descontrolado de muco potencialmente contaminado, o sal não destrói os ovos enterrados no solo e provoca a salinização e degradação da terra, matando plantas e esterilizando o canteiro produtivo.

O combate real e duradouro contra invasores biológicos exige a aplicação sistemática do Controle Integrado de Pragas (CIP), dividindo a estratégia em três frentes de engenharia sanitária:

  • Manejo Ambiental (Saneamento do Terreno): Eliminação imediata de abrigos diurnos. É obrigatório manter a roçada em dia, remover pilhas de tijolos, telhas, restos de madeira, lixo orgânico e excesso de palhada úmida acumulada nos cantos de muros e estufas.
  • Coleta Mecânica Segura: Realização de cata manual dos moluscos preferencialmente ao anoitecer ou amanhecer, utilizando sempre luvas de borracha grossas ou sacos plásticos protejendo as mãos. Os espécimes recolhidos não devem ser esmagados no local, mas sim descartados com segurança em soluções calcárias ou encaminhados conforme orientação da vigilância sanitária local.
  • Intervenção Química Especializada (Iscagem): Aplicação técnica de moluscicidas regulamentados (como formulações à base de fosfato férrico) dispostos em pontos estratégicos de passagem e desova, operando com dosagens calculadas para resistir à umidade sem contaminar o lençol freático ou intoxicar animais domésticos e a fauna benéfica.

Compliance Ambiental e Proteção Produtiva

O avanço estatístico de 215% nas Espécies Exóticas de Moluscos comprova que o Brasil enfrenta um desafio contínuo de biossegurança contra espécies invasoras. Para produtores rurais, administradores de condomínios residenciais e gestores de centrais de distribuição de alimentos, negligenciar a presença de moluscos exóticos resulta em perdas financeiras pesadas e infrações sanitárias graves, comprometendo o cumprimento das diretrizes de segurança dos alimentos e conformidade nas cadeias produtivas.

Em cenários de infestação estabelecida em propriedades agrícolas, complexos comerciais ou áreas urbanas extensas, a intervenção amadora é ineficaz. A contratação de empresas especializadas em controle de vetores e regularizadas perante os órgãos ambientais é o único investimento seguro para mapear focos de reprodução subterrâneos, emitir laudos técnicos auditáveis e aplicar moluscicidas profissionais com precisão, preservando a produtividade do campo e a integridade da saúde pública.

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