O que deveria ser uma solução de higiene transformou-se em um cenário de filme de terror para a moradora Bia Tavares. Residente em um apartamento térreo, ela contratou indiretamente o serviço — realizado pelo condomínio nas áreas comuns — e viu sua casa ser invadida por uma multidão de baratas de esgoto logo após a aplicação do veneno nos bueiros.
O caso, relatado em suas redes sociais, viralizou e levantou um debate importante sobre a eficácia e os riscos de procedimentos de controle de pragas mal planejados. Segundo Bia, a falta de vedação das tampas de esgoto causou um êxodo em massa dos insetos diretamente para sua varanda e área de serviço.
O relato do pânico
Bia conta que esta foi a terceira vez que passou pelo procedimento no prédio, mas a primeira em que presenciou a aplicação ao vivo. Nas ocasiões anteriores, ela chegava do trabalho e encontrava os insetos já mortos. Desta vez, a cena foi traumática.
“Na hora que eu gravei, eu estava saindo de casa para não ficar aqui, porque já imaginava que seria pavoroso. Mas aconteceu de eu estar ali vendo aquilo acontecendo”, relatou. Segundo a moradora, os técnicos pulverizaram o veneno dentro dos bueiros e fecharam a tampa sem nenhuma vedação extra.
“Coisa de menos de cinco minutos depois que o veneno era pulverizado, elas saíam assim, desesperadas. Elas só saem correndo e, como a minha unidade é na frente da caixa de bueiro, elas saem da tampa e sobem. Fogem todas aqui para dentro de casa”.
@bia.tavares9 De um dia que uma simples Dedetizacao virou o meu maior pesadelo 😭🤯 #pesadelo #baratas #viral #fobia #medo ♬ som original – Bia Tavares
Insalubridade e risco às crianças
A situação é agravada pelo fato de Bia ter dois filhos pequenos, um de dois anos e meio e uma bebê de um ano que ainda engatinha. Para ela, o problema vai além do nojo: trata-se de saúde pública e fobia real.
“Eu percebi que eu não tenho medo, não tenho nojo, não tenho frescura. Eu tenho realmente uma fobia de baratas. Eu não conseguia ver aquilo e não chorar, não ficar desesperada. (…) É inadmissível você chegar da sua casa cansada de um dia de trabalho e ter que limpar a casa infestada de barata, mesmo que seja morta. E são baratas de esgoto (Periplaneta americana), não são aquelas de cozinha.”
Bia Tavares, em relato nas redes sociais
A moradora acionou uma advogada e enviou uma notificação ao condomínio citando a insalubridade e os danos emocionais, mas relatou que, após duas semanas, ainda não havia obtido resposta. “Fui lesada de várias formas, tanto na questão da limpeza quanto na insalubridade. Eu não posso ficar botando veneno em todo canto da casa porque não sei onde minha bebê vai mexer”, desabafou.
A responsabilidade técnica na aplicação de inseticidas
O caso de Bia ilustra um fenômeno conhecido no controle de pragas: o “efeito desalojante” (flushing out). Quando um inseticida irritante é aplicado em esconderijos como esgotos, as baratas tendem a fugir rapidamente para a superfície antes de morrerem. Se não houver barreiras físicas, a invasão às áreas vizinhas é certa.
Especialistas reforçam que a dedetização de áreas comuns não pode ser feita de forma amadora. É fundamental que a empresa contratada siga protocolos rígidos. Para entender melhor como evitar essas situações, é essencial conhecer o comportamento das baratas de esgoto e como prevenir invasões em apartamentos térreos, onde o risco é sempre maior.
Procedimentos corretos e deveres do Condomínio
Para evitar que a solução vire um pesadelo, condomínios e empresas controladoras devem seguir um checklist de segurança:
- Comunicação Prévia: Avisar aos moradores do térreo com antecedência, orientando o fechamento de ralos, janelas e portas (vedação passiva).
- Barreira Química: Antes de aplicar o produto no bueiro (termonebulização ou pulverização), deve-se criar uma barreira de inseticida residual ao redor da tampa e nas paredes próximas.
- Vedação Temporária: Como a própria moradora sugeriu intuitivamente, cobrir a tampa do bueiro com materiais vedantes (lonas ou plásticos) logo após a aplicação impede a fuga dos insetos para a superfície, forçando-os a permanecerem na rede até o efeito letal do produto.
A responsabilidade civil do condomínio e da prestadora de serviço é objetiva em casos de danos aos moradores causados por má execução. A responsabilidade das dedetizadoras quando o serviço dá errado inclui não apenas a reaplicação, mas a garantia de que o ambiente permaneça seguro e habitável, especialmente para crianças e animais domésticos.




